Como a Huawei alcançou 40 milhões de usuários usando maquinário antigo na produção de chips
A gigante chinesa Huawei alcançou um marco significativo em seu esforço para desenvolver um ecossistema tecnológico robusto mesmo enfrentando grandes desafios na fabricação de semicondutores, incluindo o uso de maquinário mais antigo para produzir seus próprios chips. Essa estratégia, considerada arriscada por especialistas, permitiu que a empresa fortalecesse sua base de mais de 40 milhões de usuários, impulsionando tanto seu software quanto soluções de hardware integradas.
Uma trajetória desafiadora em chips
Nos últimos anos, a empresa tem sido pressionada por restrições e sanções impostas por governos estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos, que limitaram seu acesso a tecnologias de produção de sircuitos integrados mais avançadas. Essas limitações tornaram difícil a obtenção de equipamentos de litografia de última geração — essenciais para fabricar processadores mais eficientes e compactos — conhecidos como EUV (ultravioleta extrema).
Apesar desse cenário adverso, a empresa decidiu seguir um caminho alternativo: investir em tecnologia de fabricação que utiliza máquinas mais antigas e em conjunto com fornecedores locais, como a SMIC (Semiconductor Manufacturing International Corp), para produzir CI capazes de abastecer seus dispositivos e sustentar seu sistema operacional próprio. Essa produção tem ocorrido em nós de processo de cerca de 7 nanômetros, níveis tecnologicamente inferiores aos líderes do setor como TSMC e Samsung, mas ainda assim suficientes para manter desempenho competitivo em certos segmentos.
Ecosistema de software e hardware integrado
Além das soluções de hardware, ela também apostou no fortalecimento de seu sistema para criar um ecossistema menos dependente de terceiros. O HarmonyOS, sistema operacional desenvolvido pela própria empresa, já ultrapassou dezenas de milhões de instalações e permita a integração entre dispositivos móveis, wearables, TVs e aparelhos domésticos inteligentes. Esse movimento é fundamental para reter usuários dentro de uma plataforma coesa, que sustenta serviços e soluções conectadas.
Essa estratégia lembra outros esforços da empresa para ampliar sua presença em setores estratégicos mesmo em meio a restrições comerciais. Por exemplo, a empresa firmou parcerias com universidades e outras instituições para desenvolver soluções em inteligência artificial e automação, projetando capacidades de longo prazo para competir no mercado global.
O papel dos investimentos e da cadeia doméstica
Para apoiar essa trajetória, ela expandiu significativamente seus investimentos em toda a cadeia de semicondutores. Relatórios de mercado indicam que a empresa já participa de dezenas de empresas do setor, muitas vezes com participações minoritárias, com o objetivo de assegurar uma cadeia de produção mais segura e menos vulnerável a sanções externas.

Esses investimentos ajudam não apenas no desenvolvimento de circuitos integrados próprios, mas também em áreas estratégicas como conectividade, nuvem e aplicações para Internet das Coisas (IoT), reforçando a visão de um ecossistema integrado.
Riscos e limitações da produção com equipamentos antigos
Apesar dos avanços promocionais, o uso de maquinário antigo tem suas limitações. Chips produzidos com processos de maior litografia tendem a ser menos eficientes em termos de desempenho, consumo de energia e miniaturização se comparados com os fabricados em nós tecnológicos mais avançados, como 5 nm ou 3 nm — tecnologias que líderes globais estão alcançando gradualmente.
Além disso, a dependência de processos menos avançados pode tornar mais difícil para ela competir no segmento topo de linha de dispositivos móveis ou em aplicações de computação intensiva, como inteligência artificial de alta performance e servidores de dados ultrarrápidos. No entanto, para segmentos de gama média e soluções integradas, esse risco é compensado pela capacidade de produzir internamente e manter um ecossistema autossustentado.
Conclusão: inovação resiliente em tempos de restrições
A história recente da Huawei mostra que, mesmo diante de fortes restrições externas e desafios tecnológicos, é possível construir um ecossistema vivo e relevante com mais de 40 milhões de usuários. Ao combinar hardware produzido internamente — mesmo com maquinário considerado menos avançado — com um sistema integrado e investimentos estratégicos, a empresa chinesa tem encontrado formas de seguir competitiva no mercado global.
Essa trajetória revela não apenas a capacidade de adaptação, mas também as complexidades da indústria global de semicondutores, onde acesso a tecnologia de ponta é muitas vezes tão valioso quanto a criatividade para contornar limitações e reinventar o caminho para a inovação.
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Referências
- Xataka Brasil: Huawei construiu ecossistema de 40 milhões de usuários com receita arriscada: fabricar chips usando maquinário antigo
- China Daily: Huawei builds robust AI chip ecosystem despite US bans
- Mais Celular: Huawei expandindo linhas de fabricação mesmo sem tecnologia de ponta




