Nova tripulação da Crew-12 chega à ISS e encerra período de tripulação reduzida
No sábado, 14 de fevereiro de 2026, a missão Crew-12 concluiu com sucesso sua viagem até a Estação Espacial Internacional (ISS), marcando o fim de um período em que o laboratório orbital operou com um número menor do que o habitual de astronautas. A bordo da cápsula Crew Dragon “Freedom”, lançada pela SpaceX e contratada pela NASA, quatro tripulantes se juntaram à equipe que já estava na estação, restaurando a presença completa de cientistas e especialistas no espaço.
Uma missão essencial após evacuação médica
A necessidade de acelerar o envio de uma nova tripulação surgiu após um episódio incomum na história da estação: pela primeira vez desde o início da operação ininterrupta da estação, um grupo de astronautas teve que retornar à Terra antecipadamente devido a um problema de saúde de um membro da Crew-11. Esse retorno inesperado deixou-a operando apenas com três pessoas, um número significativamente abaixo da equipe padrão de sete, e levou à suspensão temporária de atividades como caminhadas espaciais e pesquisas mais complexas.
Para preencher essa lacuna, a NASA e a SpaceX reorganizaram o cronograma de lançamentos, antecipando a decolagem da Crew-12 para evitar que a estação ficasse muito tempo com capacidade reduzida. Esses ajustes de calendário, ainda que complexos, demonstram a flexibilidade e a coordenação necessárias para manter a presença humana contínua em órbita baixa da Terra.
A jornada até a ISS
O lançamento aconteceu na manhã de sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, a partir do Space Launch Complex 40, na Cape Canaveral Space Force Station, na Flórida. A bordo, a cápsula Dragon Freedom foi impulsionada pelo foguete Falcon 9, numa ascensão suave que culminou com o retorno planejado do primeiro estágio do foguete à Terra — um feito que destaca novamente a reutilização dos componentes como padrão nas operações da SpaceX.

Após cerca de 34 horas de viagem, a nave aproximou-se dela e realizou o procedimento de acoplagem por volta das 15h15 EST (20h15 UTC) no sábado, 14 de fevereiro. Os procedimentos a seguir incluíram verificações sistemáticas de pressão e vedação entre a cápsula e o módulo da estação antes da abertura definitiva das escotilhas.
Perfil e objetivos da Crew-12
A tripulação da Crew-12 é composta por quatro profissionais de diferentes partes do mundo, refletindo a colaboração internacional que caracteriza a exploração humana do espaço:
- Jessica Meir – comandante da missão (NASA), uma astronauta experiente que já participou de missões anteriores e tem um papel fundamental na liderança das operações a bordo.
- Jack Hathaway – piloto (NASA), responsável pelo controle da nave durante as fases críticas da missão.
- Sophie Adenot – especialista de missão (ESA – Agência Espacial Europeia), fazendo seu primeiro voo de longa duração.
- Andrey Fedyaev – cosmonauta (Roscosmos – agência espacial russa), trazendo experiência adicional à equipe.
Durante os próximos oito meses, essa equipe irá conduzir uma série de experimentos científicos em microgravidade, incluindo estudos de biologia, física de fluidos, tecnologia de materiais e interações entre plantas e micróbios — pesquisas que não apenas ampliam nosso conhecimento fundamental, mas também contribuem para a preparação de futuras missões ao redor da Lua e, eventualmente, a Marte.
A importância de restaurar a equipe completa
Com a chegada da Crew-12, ela voltou a operar com sua equipe padrão de sete pessoas, o que significa maior capacidade de realizar experimentos simultâneos, manutenção dos sistemas e atividades extraveiculares quando programadas. Ter um contingente completo também reduz a sobrecarga de trabalho para cada astronauta, tornando as operações diárias mais eficientes e seguras.

Esse retorno à normalidade ocorre num momento importante para o programa espacial internacional, que continua a apoiar iniciativas como o Programa Artemis — cuja missão Artemis II está prevista para levar astronautas ao redor da Lua no futuro próximo e depende do sucesso de voos como o da Crew-12 para testar e consolidar tecnologias, protocolos e cooperação entre agências.
Cooperação global no espaço
A Estação Espacial é talvez o maior símbolo de colaboração em ciência e tecnologia entre países. Ela reúne esforços das agências espaciais dos Estados Unidos, Rússia, Europa, Japão e Canadá, entre outros parceiros, para manter um laboratório científico em órbita terrestre baixa. A participação de astronautas de diversos países reflete esse espírito de parceria, fortalecendo laços diplomáticos e científicos.
Além das pesquisas científicas, a presença contínua de uma tripulação significativa permite que ela continue servindo como plataforma de testes para tecnologias e protocolos que poderão suportar futuras missões humanas a destinos mais distantes no sistema solar.
O legado da ISS e o futuro
Ainda que ela continue a desempenhar um papel vital na pesquisa em órbita, planos já foram anunciados para encerrar sua operação por volta de 2030, com a estação sendo desorbitada de forma controlada para reentrar na atmosfera terrestre em um ponto remoto do Oceano Pacífico. Enquanto isso, missões como a Crew-12 garantem que o laboratório continue sendo um centro de investigação científica de ponta e um polo de cooperação internacional por mais alguns anos.
Veja também
- Resgate Espacial: A Nova Fronteira da Telemedicina
- Rosatom apresenta Tecnologia nuclear para viagens a Marte
- Evacuação Espacial: A ISS está preparada para emergências
Referências
- Xinhua News: Cobertura internacional da chegada da Crew-12
- Wikipedia: SpaceX Crew-12
- Olhar Digital: Crew-12 chega ao espaço e encerra período de tripulação reduzida




